Quero Valor: o grito da insegurança!
- 3 de ago. de 2017
- 2 min de leitura
Quantas vezes temos a presença de parar, observar e refletir sobre as nossas acções, pensamentos e sentimentos, quantas vezes nos deixamos dominar pela indignação de não sermos valorizados por essas mesmas acções que, justificamos interiormente estarem alicerçadas em sentimentos puros, genuínos, verdadeiros e como tal, devem, têm de ser valorizados e enaltecidos pelos outros.
Quantas e quantas vezes em vez de fazermos essa auto observação fazemos a observação exterior, analisamos o outro sem termos a capacidade de nos analisar a nós mesmos, sem percebermos que tudo aquilo que identificamos em défice no outro na realidade não passa daquilo que temos em défice em nós mesmos. A "falta" de valorização que identificamos no nosso exterior vem da nossa falta de valorização individual, vem da nossa insegurança, vem da nossa necessidade de sermos vistos de uma forma que não nos conseguimos ver, vem da necessidade de sermos vistos da forma como nos projectamos, da forma como acreditamos ser mas não conseguimos sentir. Quando essa ilusão é "rejeitada" pelo exterior, a ira domina, a revolta, o ego entra a todo o vapor dominando por completo, impedindo-nos de ver a realidade.

Assim, dificilmente conseguimos nós próprios dar valor a alguém, e a nossa queixa passa a ser o nosso pecado capital, toldando-nos o discernimento. Assim, dificilmente conseguimos sentir-nos genuinamente gratos por todas as experiências que nos são proporcionadas, por todas as pessoas que nos rodeiam, pois nada será suficiente, pois nada nem ninguém conseguirá estar à altura da nossa expectativa ou projecção. Pessoas, vivências e situações caiem na nossa "não valorização" porque somos incapazes de nos distanciar de nós mesmos, das nossas necessidades, dos nossos quereres e das nossas vontades.
Dificilmente conseguimos levantar os olhos do umbigo e deixar de ter uma interação social viciada, como se as pessoas fossem o nosso antídoto contra a insegurança que sentimos. Dificilmente paramos de exigir.
E em vez de construir, destruímos.
Destruímo-nos, destruímos as relações, caminhamos nos destroços da amargura e frustração por incapacidade de abrir a consciência para uma visão menos egoísta.
Antes de levantares o dedo a alguém com a frase "HOW DARE YOU" na ponta da unha, levanta-te vai ao espelho e tudo o que quiseres dizer ao outro diz a ti mesmo.

































Comentários